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Antes de você começar a ler este texto, gostaria de lhe propor um acordo, muito simples.

Se você concordar com a afirmação que farei a seguir, pode iniciar a leitura. Porém, se achares que estou errado, não perca seu tempo lendo este post. Aceito?

Escotismo pela metade não dá!

Se concordas que não há como praticar o Escotismo de forma precária ou incompleta, podes prosseguir com a leitura.

Parece pertinente fazer uma introdução sobre algumas alterações pelas quais tem passado o Movimento Escoteiro. Em 1995, a Conferência Escoteira Interamericana, realizada na Colômbia, ciente de sua importância como um dos norteadores da prática do Escotismo, concluiu, depois de um longo período de estudo, que o programa escoteiro não estava atendendo às necessidades do Escotismo e, menos ainda, ao interesse das crianças e jovens em geral.

Surgiu, então, o Método de Atualização e Criação Permanente do Programa de Jovens, também conhecido como MACPRO e, com ele, uma série de modificações começaram a ocorrer.

Importante dizer que o Método Escoteiro, como conhecemos, foi concebido por Baden-Powell e se constitui numa filosofia educacional inovadora. Já era uma inovação, em termos educacionais, em 1907 e continua sendo no século XXI (ver post maisumescoteiro.wordpress.com/2011/04/18/ja-temos-muita-teoria-na-escola)

Erroneamente, alguns Escotistas desavisados achavam que as alterações propostas pelo MACPRO se constituíam em alterações do Método Escoteiro. Todavia, é necessário esclarecer que a alteração proposta na Conferência Interamericana diz respeito ao Programa de Jovens e a forma como ele deve ser aplicado. Nosso Método, como disse, é aquele idealizado por B-P.

Dentre as alterações significativas do Programa de Jovens, vamos focar numa que tem a ver com a aplicação cotidiana nos Grupos Escoteiros, qual seja, o Ciclo de Programa. Com ele, as atividades escoteiras sofreram profunda alteração.

Pela minha experiência como Escotista, percebo que muitos educadores confundem o Ciclo de Programa com um esquema pronto, com um esqueleto que pode ser utilizado apenas trocando nomes, datas e horários, com um molde no qual podemos colocar uma patrulha ou tropa dentro.

Me parece que esse entendimento equivocado, além de prejudicial a boa prática do Programa de Jovens, acaba bloqueando a importância que devemos dar ao Ciclo de Programa.

O Ciclo de Programa exige das crianças e jovens total envolvimento na escolha do tema que será tratado durante o período determinado para o ciclo, na busca de objetivos e na avaliação, posterior, dos resultados.  Mais, ele deve ser tido como algo vivo, dinâmico, cuja origem deve estar na vontade e no interesse das crianças e jovens.

Para que funcione corretamente, deve estar adequado ao nível de conhecimento que eles (crianças e jovens) têm e que pretendem ter sobre determinado assunto. Deve ser orientado pelo Escotista, mas decidido por quem irá colocá-lo em pratica.

Desde minhas primeiras leituras sobre o MACPRO e das adequações do Programa de Jovens, passei a referir que tais inovações vinham para “corrigir a miopia” do Movimento Escoteiro.

Miopia?! Ok, eu explico: O Movimento Escoteiro (em geral) estava preocupado somente com a formação de Escoteiros e para isso utilizávamos toda nossa técnica e conhecimento “mateiro”: quanto mais nós, amarras, pioneirias, mais especialidades, melhor seria nosso Escoteiro.

Entretanto, com o auxílio desta adequação do Programa de Jovens, nosso objetivo ficou muito mais claro: auxiliar na formação de cidadão ativos e responsáveis. Como fazer para alcançar tal meta? Por meio do Programa de Jovens do Movimento Escoteiro, com seu aprendizado pela prática de atividades atraentes, progressivas e variadas, baseado no desenvolvimento pessoal com orientação individual.

Esta é uma alteração significativa, pois, nos demos conta de que o nosso fim é o cidadão. O escoteiro (escotismo) é o meio utilizado para chegarmos ao objetivo.

Tenho a impressão de que este post está sendo repetitivo. Mas, quem sabe, fará com que muitos possam voltar a refletir sobre este assunto, compartilhando visões, idéias, conceitos e experiências.

Pense nisso. Afinal, se chegamos até aqui é porque concordamos que: Escotismo pela metade não dá!

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