Tags

, , , , , , , , , , , , ,

Estava lendo A Escola de Baden-Powell, de Jorge Carvalho do Nascimento, quando me deparei com a reprodução do 12º artigo da Lei Escoteira: O escoteiro tem a constante preocupação de sua dignidade e o respeito de si mesmo. Vale dizer que, atualmente, a Lei Escoteira tem somente dez artigos, mas, nos primórdios do Escotismo Brasileiro, haviam doze.

Prossegue Jorge Carvalho do Nascimento, em sua explicação sobre este 12º artigo, referindo que:

“o escoteiro era um homem que respeitava a si mesmo e esperava o respeito dos semelhantes. Assim o homem que respeitava a si mesmo não necessitava vangloriar-se da riqueza; optava pela humildade ao invés de ostentar; preferia a reserva e não a propaganda; renunciava ao egoísmo fazendo sacrifício pessoal” (p. 147).

Ao terminar de ler este parágrafo não pude me furtar a uma séria reflexão sobre o método criado por Baden-Powell.

Dei-me conta do motivo pelo qual dedico o meu tempo ao Movimento Escoteiro, da razão pela qual, muitas vezes, abdico do convívio de minha família e do por quê não me preocupa investir minhas economias em prol neste movimento.

Interessante como um simples parágrafo, que me fez refletir sobre um artigo da Lei Escoteira que não existe mais, foi capaz de confirmar onde acreditava estar o Norte que sempre procurei dar à minha vida (dentro e fora do Escotismo): respeito a si mesmo, humildade e renúncia ao egoísmo.

Tal situação me fez pensar sobre educação e nos meus filhos.

Logicamente, sempre esperei dar a melhor educação para meus filhos e, os conceitos que refletem este antigo artigo da Lei Escoteira, seguramente, estão entre os valores que pretendo passar a ele. Valores que serão reforçados pela vivência de um Escotismo sério, comprometido e dedicado ao Método idealizado por B-P.

Ao aprofundar meus pensamentos sobre o tema, dou-me conta de que esta é uma saída para o nosso País, tão maltratado, vilipendiado e esfolado pela corrupção.

Corrupção que não se restringe àquela que vemos seguidamente na mídia, aquela que multiplica o patrimônio por vinte em apenas quatro anos ou que desvia dinheiro de merenda escolar, das ambulâncias e de medicamentos.

Falo daquela corrupção diária que alguns tem a petulância de dizer que está inserida no DNA do brasileiro. Aquela que não avisa ao caixa sobre o troco errado recebido, aquela que ocupa vaga de estacionamento para portadores de necessidades especiais, aquela que muitas pessoas acreditam que “todo mundo faz igual”: a corrupção moral.

Depois desta reflexão, pretendo ler ainda várias vezes os artigos da Lei Escoteira (sejam eles dez ou doze), para que possa me qualificar ainda mais e me dedicar ao Movimento Escoteiro tanto quanto possível.

Digo isto, não apenas pelos meus filhos, Valentina e Martin. Mas por acreditar que este País ainda tem futuro e que o futuro deve passar pelos sólidos valores que o Movimento Escoteiro transmite, por ser uma fonte permanente de educação para a vida.

Anúncios