Pode parecer chavão ou frase pronta, mas não poderia deixar de dizer que sempre volta-se diferente de um Jamboree Mundial.

Se nada mais houvesse, o simples fato de passar quinze dias acampados em Rinkaby-Suécia com outros 39.000 escoteiros do mundo inteiro, pensando e vivendo o Escotismo 24 horas por dia, já seria uma experiência marcante, capaz de nos tornar mais tolerantes, preocupados com o mundo em que vivemos e dedicados à educação das crianças e jovens que compõem o Movimento Escoteiro.

Porém, fui agraciado com um trabalho inesperado e muito gratificante: Operation One World. Esta Operação, que é deflagrada em todos os Jamborees Mundiais objetiva levar jovens e adultos que não teriam condição financeira de participar deste evento máximo do Movimento Escoteiro. Em alguns casos (vários deles, pelo que soubemos) com todas as despesas pagas.

Para o 22º Jamboree Mundial foram escolhidos 250 jovens de vários países, de todos os continentes, de todas as culturas, raças e credos, demonstrando que o Movimento Escoteiro não tem fronteiras, nem barreiras. Alguns deles eram os primeiros de suas cidades ou estados a viajar para o exterior, deixando-os com uma responsabilidade ainda maior para com a sua comunidade.

Estes jovens puderam vivenciar cada uma das atividades especiais e momentos inesquecíveis do Jamboree Mundial graças ao patrocínio de pessoas, empresas e entidades. Isto, pois, da cota do Jamboree Mundial, apenas 2% é destinado para a Operation One World.

Esta oportunidade única, proporcionada por aqueles que acreditam que podem fazer o mundo um pouco melhor, colaborando com aqueles que nada ou muito pouco têm, dependia, um pouco, da nossa ajuda.

Fomos os  responsáveis por montar e distribuir o kit completo de acampamento entregue por um dos patrocinadores. Terminada esta tarefa prévia, passamos a visitá-los com regularidade, normalmente duas vezes ao dia, para verificar como estavam passando, se o respeito e a organização estavam presentes no campo, se não haviam problemas de relacionamento (numa Tropa Operation One World haviam 40 pessoas de nove países e dois idiomas diferentes) e para ajudá-los a resolver os pequenos problemas da estrutura, organização e das rotinas diárias.

Porém, meu sentimento era de que mais do que servir de esteio para eles, acabamos ganhando muito neste Jamboree Mundial. Aprendemos com suas experiências de vida e suas expectativas quanto ao Movimento Escoteiro. Crescemos um pouco mais a cada dia, enquanto ia aumentando nossa relação de amizade. Tomamos café da manha juntos, compartilhamos algumas das atividades cotidianas do subcampo, vivemos a expectativa anterior e o sucesso do Camp in Camp.

Quando chegou o momento da partida, quando estavam desmontando as barracas para voltarem para suas casas, para suas comunidades, estávamos ali para ajudá-los a se organizar, a carregar as mochilas e equipamentos mais pesados e, no último momento, para um abraço fraterno, sorriso verdadeiro e adeus sentido, daqueles que trazem a certeza do afastamento.

Ninguém gosta de despedidas. Ainda mais quando o convívio do dia-a-dia é baseado nos Princípios Escoteiros. Mas, naquele momento, entre a tristeza da partida e a alegria dos momentos vividos, tínhamos a certeza de que passamos a integrar a vida daqueles jovens, num momento tão especial, que seríamos lembrados pelos resto de suas vidas. Pelo resto de nossas vidas!

Sempre volta-se diferente de um Jamboree, mas participar desta experiência que foi a Operation One World nos deu a certeza de que todo o esforço para chegar até ali valeu à pena.

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