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Sabemos que esta é uma seara delicada, especialmente ao qualificar os pais com adjetivos que podem ser vistos de forma pejorativa. Entretanto, este é um assunto recorrente e podemos tomar alguns exemplos, de acordo com o que vemos cotidianamente no Grupo Escoteiro.

Alguns pais, pela forma de agir, poderiam ser qualificados como insistentes, pois, querem que seus filhos sejam, de um dia para o outro, Cruzeiro do Sul ou Lis de Ouro (vale destacar que esta situação é menos provável de acontecer no ramo sênior), forçando-os num caminho que não querem ou ainda não estão preparados para trilhar.

Outros pais, os quais tomamos a liberdade de chamar de ausentes, nem sabem o que os filhos estão fazendo no Grupo Escoteiro e, menos ainda, que eles podem obter diversas especialidades. Alguns destes pais ausentes – aqueles que vemos apenas a mão fechando a porta do carro, após a criança descer – nem sabem que existem etapas de progressão e que o esforço para galgar estes degraus reforçam a educação recebida em casa e na escola.

Como lidar com estes dois extremos? Seguramente não é fácil, mas, certamente, não é impossível.

Parece-me que um ponto muito importante, capaz de minimizar o problema dos pais, não importando em qual dos extremos esteja, é estabelecer uma boa comunicação.

A comunicação deve receber especial atenção, principalmente, no início da vida desta família no Grupo Escoteiro. Devemos esclarecer e explicar como funciona o sistema de formação das crianças e jovens no Movimento Escoteiro. Os pais precisam ter bastante claro que os Lobinhos e Escoteiros escolhem o que farão de acordo com seu interesse, com suas habilidades ou com suas “pequenas manias”, como dizia Baden-Powell. É a maturidade de cada um que vai determinar a velocidade da progressão.

Proponha, aos pais, conversas informais e rápidas sobre o objetivo do Escotismo e as oportunidades de crescimento e conhecimento que podem ser disponibilizadas aos filhos deles, durante a aplicação do programa Escoteiro.

Outro ponto importante é encorajá-los a conhecer os manuais e guias utilizados no Movimento Escoteiro. Assim, os pais estarão familiarizados com os termos usados e terão conhecimento das opções disponíveis aos seus filhos. O conhecimento do tema vai aproximar os pais das etapas de progressão e especialidades, dando oportunidade para que eles possam interagir e compartilhar com seus filhos a cada uma das conquistas.

Assim, os pais também aprenderão a respeitar o ritmo próprio da criança ou do jovem, servindo como motivadores e não como pressionadores. Deixando-os cientes de que seus filhos têm um caminho a trilhar e que o auxílio dos pais é muito importante.

É fundamental destacar aos pais que essa é nossa grande diferença, comparativamente a educação formal e, ao mesmo tempo, nosso grande diferencial. Afinal, temos um objetivo em comum: educação para a vida, de cada uma destas crianças e jovens.

Portanto, resta a nós, educadores, tomar a iniciativa e estabelecer a estratégia, tratando esta questão, também, no grande grupo, deixando os pais mais à vontade, inclusive por saber que outros têm as mesmas dúvidas e ansiedades.

Acreditamos que estes simples passos podem facilitar e diminuir a barreira que acabamos criando contra os pais insistentes e reduzindo ou acabando com o abismo existente entre os pais ausentes e o Grupo Escoteiro.

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