Fogo de conselho

Primeiramente, obrigado pelo sucesso do primeiro post e espero poder auxiliar no crescimento do Movimento Escoteiro. Aproveito e convido todos a sugerir assuntos, deixar suas dúvidas ou casos para comentarmos. Vamos lá…

O ápice das atividades escoteiras é o acampamento, onde o jovem coloca em prática tudo aquilo que aprendeu nas atividades dos sábados. É o momento de maior convivência com a patrulha, tropa e grupo ou até mesmo com outros grupos. E no fogo de conselho temos a grande oportunidade de nos integrarmos, de interagir e nos divertir mais, compartilhar experiências e refletir sobre as atividades até o momento vivenciadas.

Além de toda a parte espiritual, divertida e de interação, para termos sucesso durante o Fogo de Conselho temos que prestar atenção no aspecto técnico. Primeiro: a fogueira. Para tal, precisaremos de material previamente separado e em adequada quantidade de acordo com a duração que pretendemos. Separe gravetos, material para acendimento rápido (jornal, folhas secas, etc.), lenha média, toras e material isolante, como pedras ou até mesmo uma vala rasa para evitar que o fogo se espalhe além dos limites da fogueira.

Todo o material deverá estar separado e previamente organizado para não perdermos tempo durante a cerimônia. Por isso, definir uma equipe de serviço é o ideal e está ficará responsável da manutenção do fogo durante as apresentações. Lembre-se de ter em mãos algo que acenda facilmente o fogo, isqueiros ou caixas fósforos, o uso de buchas parafinadas ou tochas embebidas em líquido inflamável é uma boa idéia, desde que se tenha cuidado com a segurança.

A fogueira pode ser substituída por lamparina ou lampião, caso o local não permita fogo de chão ou o clima não seja favorável.

Outro item importante é a programação, defina um Mestre de Cerimônia, que conduzirá as apresentações (danças, esquetes, jogos, etc.) de acordo com a programação que deverá ser feita previamente e combinada com todos envolvidos. Inclusive com a equipe de serviço.
Tanto o mestre de cerimônia como a equipe de serviço tem que ter em mente, algo simples, mas que é o segredo do Fogo de Conselho: a “evolução do fogo”.

Funciona da seguinte forma: o fogo começa fraco, queimando os gravetos e vai aumentando sua intensidade conforme consome a lenha, aumentando seu brilho e calor – pode-se até ouvir os estalos da madeira como aplausos concedidos pelo fogo. Momento para danças de ritmo suave e poucos movimentos começando com “Sobe a chama…” e apresentações de esquetes ou jogos.

Quando chega ao seu auge, brilha com grande intensidade e gera bastante calor é a hora em que músicas agitadas e jogos com grande envolvimento deverão ser apresentados. Após, sem que seja alimentado, o fogo já não tem o que consumir e começa a se extinguir, nesse momento amenizamos o ritmo da roda ao redor com músicas calmas e poucos movimentos até que restem apenas algumas brasas e um suave brilho do fogo.

No momento que esteja quase extinto e restando apenas o calor das brasas é que se forma a Cadeia da Fraternidade e encerramos com a Canção da Despedida.

Tradicionalmente o Mestre de Cerimônia ou alguém indicado por ele, usa o momento para reflexão e agradecimento à Força Maior (não importando a fé ou crença).

Se você pretende ser mestre de cerimônias de um Fogo de Conselho, sendo ele temático ou não, lembre-se que o importante é se divertir e que cada acampamento deixe o sentimento de que foi “o melhor”. Dê o melhor de si, dedique-se, escolha algum texto para o momento, se planeje, ensaie, faça de coração e tudo dará certo, todos gostarão muito e o momento ficará gravado por muito tempo.

Agora, para os que estarão do outro lado da fogueira, algumas dicas para quem vai se apresentar ou organizar uma apresentação, sendo individual ou por patrulha, tropa, etc.:

  • Se posicione de forma que a fumaça ou o fogo não atrapalhe, permitindo que seja visto e ouvido por todos;
  • Fale alto, diálogos devem ser bem pronunciados e a narração deve ser alta e clara, instrua os jovens para falarem mais alto que o normal e trabalhe isto, especialmente com lobinhos e jovens recém chegados;
  • Fale pausadamente, permita que cada parte da fala seja entendida e evite que os diálogos se sobreponham;
  • Use uma “cola”, para não correr o risco de esquecer uma fala ou diálogo mais longo e acabar atrapalhando a apresentação, um pequeno pedaço de papel com a parte da fala permite que no meio da apresentação ela seja lembrada;
  • Lembre aos escoteiros que devem esperar até que os risos parem antes de continuar falando, de forma que todo mundo possa ouvir as palavras e entender o que se passa;
  • Use de exageros, movimentos dos braços, grandes sorrisos, grite e use caretas exageradas, isso vai tornar mais divertida a apresentação e prenderá o público;
  • Simplifique sempre, permita mudanças, mude algo, inclua e exclua o que for preciso, mas sempre simplificando, afinal, para que complicar se podemos simplificar;
  • Ensaie, de nada serve combinar tudo e não ensaiar, o treino leva a perfeição;
  • Certifique-se que cada um tem um papel ou função durante a apresentação, não deixe ninguém de fora;

Evite a timidez, sabemos que alguns são mais tímidos que os outros, principalmente os que estão participando pela primeira vez. Se for Akelá entre junto incentivando e ajudando os lobinhos. Se um escoteiro é extremamente tímido, faça com que ele participe, em sua primeira encenação, com alguma coisa que não envolva palavras. Se, no princípio, seus escoteiros tiverem uma boa experiência, logo você poderá relaxar e desfrutar o espetáculo.

Assim como para mim, espero que cada Fogo de Conselho seja inesquecível para vocês, não importando de que lado da fogueira esteja.

‘Não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus… ’ E com a certeza de voltarmos a nos ver.

Sempre alerta!

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