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Acredito que todos meus amigos e mesmo aqueles que são apenas meus conhecidos, sabem da minha história com e no Escotismo.

Por conta disto, domingo passado, uma senhora que é muito amiga da família entregou-me um exemplar da Revista Void n. 071 (que é uma publicação mensal, voltada ao público jovem, com distribuição gratuita em algumas capitais brasileiras), cuja matéria da capa é o Movimento Escoteiro (http://revistavoid.com.br/2011/07/a-resistencia-escotista).

Não conhecia a revista e, antes mesmo de começar a matéria, pude constatar que no índice havia uma advertência, pois, pelo menos dois integrantes da equipe da revista “haviam flertado” com o Movimento Escoteiro quando pequenos.

E de forma jocosa, alertava que “a cura pra essa bundamolice toda que anda rolando por aí pode estar nos lugares menos prováveis”. Não sabia o que iria encontrar no artigo, mas, a chamada já me interessou.

O texto bem descolado, informal, com uma linguagem que a gurizada deve adorar, acaba sendo meio agressivo com o que a juventude nos apresenta. Mas, no momento em que li, tracei um paralelo com o que Baden-Powell viu (guardadas as devidas proporções), ao retornar para Londres, aclamado como herói da Guerra dos Boers. Ou seja: este não é o que espero para o futuro da minha nação, não há como confiar na transmissão de valores vindo destes jovens, qualificados como o fez a revista.

Por isso, a reportagem inicia questionando se esta turma que parece “jujubas fantasiadas em cores flúor com seus moicaninhos” seriam capazes de transmitir os mínimos valores de civilidade, companheirismo e solidariedade. Complementa dizendo que a resposta é fácil: não.

Para mim, este já é um link para nossa meta de construir um mundo melhor, baseado na educação para a vida, tão enraizada no Movimento Escoteiro. Ao traçar o paralelo com o cenário que B-P viu em 1900, nos damos conta de que o Escotismo continua sendo muito necessário e que temos um longo caminho pela frente. Sem dúvida, muito fizemos, mas muito, ainda, há que ser feito, sem pretensão de sermos os salvadores da pátria. Mas seguros de que o caminho percorrido é sólido e sem mácula.

Para fazer a matéria, visitaram dois Grupos Escoteiros de Porto Alegre (Charruas e Léo Borges Forte), ocasião em que conversaram não só com pais, Dirigentes ou Escotistas. Foram pedir a opinião dos jovens, inclusive dos Lobinhos. Relataram as dificuldades pelas quais vários Grupos Escoteiros já passaram: a perda da sede.

Mostraram, inclusive, que este tipo de adversidade severa, capaz de liquidar muitos Grupos Escoteiros, também tem seu ponto positivo: aumenta a união, a força de vontade e obstinação em vencer a crise. Faz com que as crianças e jovens que ali permanecem aprendam a superar desafios, a olhar com uma cara diferente os problemas do cotidiano.

Sei que a matéria comportará algumas criticas e que contém algumas imprecisões. Mas, particularmente, gostei da forma como foi direcionada, trazendo, de forma leve e contumaz a defesa do Movimento Escoteiro, apontando os pontos chave na formação do cidadão.

Quantas edições como essa seriam necessárias para mostrar as qualidades que estamos acostumados e ver? Quantos artigos como este poderiam ser escritos até que conseguíssemos a atenção merecida pelos Governantes? Quantos relatos de pais sobre a eficácia da educação complementar do Escotismo são necessários?

Sei que o caminho construído, nestes 104 anos, me dá a certeza do que temos de fazer à frente e é por isso que sigo trabalhando.

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