Tags

, , , , , , , , ,

Por que temos tanto problemas com sede se, para o Escoteiro, basta a barraca para nos proteger da intempérie? Por qual razão nos preocupamos tanto com sede, se nossas melhores atividades são ao ar livre?

Muitos Grupos Escoteiros já passaram por problemas com suas sedes. Para alguns, o problema foi tão grande que a falta da sede quase acabou com o Grupo. Para outros, como a Phoenix, serviu para alçarem novos e maios altos vôos.

Em minha experiência pessoal, pude acompanhar este dilema de diversos Grupos Escoteiros no RS.  Grupos tradicionais, em associações, escolas ou clubes que, de uma hora para a outra, passaram a não ser mais necessários. Passaram a ser vistos como intrusos na comunidade.

No Grupo Escoteiro ao qual sou vinculado já tivemos várias mudanças, algumas muito boas, outras péssimas. Geralmente vinculadas ao maior ou menor apoio da diretoria da entidade mantenedora.

Muitas vezes, o local fechado durante toda a semana, utilizado apenas aos sábados, torna-se um “alvo fácil” para outras destinações, de acordo com o interesse da mantenedora. Afinal, “os escoteiros quase não usam, mesmo”.

Recentemente, a parede da nossa sede avançou um metro, para dentro, tirando-nos em torno de 6m² em razão de modificações e melhorias no clube. Isto nos faz pensar se deveríamos investir tempo e dinheiro para fazermos um mezanino na sede (que não é nossa e que pode ser solicitada a qualquer momento) ou se deveríamos procurar uma alternativa fora do clube.

Sim, precisamos de um local para guardar nosso material, para fazermos atividade nos dias de chuva, para reuniões e conselhos de pais ou Escotistas. Isso é incontestável!

Mas não podemos transformar a “razão de existir” do Grupo Escoteiro na busca por uma sede própria.  Às vezes, a mudança de paradigma é necessária.

Logicamente, em alguns casos, a decisão de expulsar (ou acabar) com o Grupo Escoteiro, depois de tomada pela mantenedora, é irreversível. Mas, parece-me que o caminho trilhado até que esta decisão seja tomada, poderia ser reescrito, caso tivéssemos sido capazes de perceber os sinais.

Acredito que incumbe ao Grupo Escoteiro demonstrar sua utilidade, especialmente, em tempos de Responsabilidade Social como tônica para muitas empresas e entidades públicas e privadas.

Mais, o Grupo Escoteiro deve – sempre que possível – ter nos quadros da mantenedora dirigentes Escoteiros responsáveis e atuantes, capazes de inserir, mais e mais, os princípios e atividades escoteiras no âmago da mantenedora.

Para que eu disponha de um quarto, na minha casa, para determinada atividade, esta deve ser muito importante. Da mesma forma, para que a mantenedora tenha disponível um espaço para o Grupo Escoteiro, este deve ser importante, deve ter uma contrapartida que seja interessante à mantenedora.

Nossa obrigação é demonstrar o quão importante somos, como fator de modificação social, para crianças e jovens da comunidade na qual estamos inseridos. Que a formação e a educação proporcionadas pelo Movimento Escoteiro têm muito valor, não só para os associados, mas para todos que estão ao nosso redor.

Mas, não esquecendo que a importância do Escotismo deve ultrapassar nossas fronteiras. Deve alcançar, de forma objetiva, a mantenedora, correspondendo ao que ela espera do Grupo Escoteiro que acolhe.

E devemos estar atentos para os sinais de desacordo ou de desincompatibilização entre a mantenedora e o Grupo Escoteiro, para que todos os esforços, de nossa parte, sejam feitas para mudar o destino (e quem sabe a destinação) do problema com a sede do Grupo Escoteiro.

Anúncios