Cada um de nós, educadores do Movimento Escoteiro, já se perguntou quando vale à pena a abnegação e dedicação em prol do Escotismo?

A mais frequente é a questão familiar, que, algumas vezes, acaba sendo relegada a segundo plano, em decorrência de cursos, eventos, atividades e toda a rotina Escoteira. E, merece ser dito, a responsabilidade assumida nos traz inúmeros exemplos e perderíamos muito tempo descrevendo cada uma das hipóteses que, de uma forma ou outra, nós bem conhecemos.

Porém, a pergunta continua em aberto: quando saberemos que vale à pena?

O brilho no olhar, o sorriso estampado no rosto estão presentes em várias outras situações fora do Escotismo, como nas colônias de férias, nas casas de festa e nos centros de recreação, que crescem cada vez mais, modificando a rotina das grandes cidades e trazendo uma forma alternativa de diversão às crianças e jovens – sim eu disse diversão.

Porém, o Movimento Escoteiro é diferente e é, sem dúvida, mais do que apenas diversão. Ele pode ser qualificado com fator de modificação cultural e comportamental. O Escotismo é EDUCAÇÃO PARA A VIDA.

Mas, a preocupação de muitos Escotistas é: como sei que meu trabalho está sendo devidamente recompensado?

Esse sentimento de recompensa pode ser percebido no dia-a-dia, durante as atividades no Grupo Escoteiro, nos bivaques e acampamentos, nas jornadas, quando o jovem recebe os distintivos de progressão ou a condecoração máxima do seu ramo. Percebe-se, também, com aquele forte aperto de mão escoteira no início ou final dos encontros semanais, no retorno das férias, entre outros.

Entretanto, devemos ser francos, a confirmação demora muitos anos. Para ser mais preciso, demora uma vida inteira.

Digo isto, pois, somente ao longo da vida das crianças e jovens que fazem parte do Movimento Escoteiro – vida orientada pela Promessa e Lei Escoteira, moralmente reta, cooperativa e responsável, preocupada como próximo e com a comunidade – é que poderemos confirmar se valeu à pena todo o investimento (tempo, dedicação, educação) feito pelo educador e mantido pela família.

Não são poucos os relatos e experiências de Escotistas que, depois de muitos anos, encontram aquela criança ou jovem (no supermercado, no shopping, passeando com a família ou numa esquina qualquer), já adulto, trabalhando, formado ou estudando, e escuta-o dizer que deve muito aos valores, ao caráter, aos ensinamentos aprendidos no Movimento Escoteiro.

Passados longos anos, recebemos a confirmação que todo o esforço valeu à pena. Que para aquela criança ou jovem fomos importantes e fizemos a diferença, como verdadeiros educadores.

É para isso que trabalhamos duro e dedicamos tempo (que, normalmente, não dispomos). A recompensa? A certeza de que valeu à pena.

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