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Exatamente dois anos atrás, tive uma pequena lesão no menisco do joelho esquerdo. Consultando um ortopedista, fazendo uma ressonância magnética e demais exames complementares, fui informado de que, por tratar-se de uma pequena lesão, na borda medial do menisco, não seria necessário fazer cirurgia.

Sessões de fisioterapia e, após, reforço muscular seriam suficientes. Foi isto que aconteceu, com alguns percalços no caminho, logo superados pela continuidade do reforço muscular.

A dor insistente e persistente foi diminuindo, acompanhada dos 15 minutos diários de gelo no joelho, das eternas palmilhas de gel e de muito esforço na academia. Entenda-se o esforço tanto no aumento progressivo de cargas e exercícios para as pernas, quanto na persistência das terças e quintas-feiras.

Em junho deste ano, minha preocupação consistia em como se comportaria meu joelho durante 30 dias de férias, sendo que destes, 13 dias seriam durante o Jamboree Mundial na Suécia. Isto, pois, não teria o gelo diário, nem os exercícios de reforço. Ficava a dica da professora de Pilates: contrair abdomen e glúteos, SEMPRE, ao caminhar.

Resultado: nem as 10 horas seguidas (praticamente diárias) de caminhadas por Roma e Veneza, nem o hiking nos alpes em Kandersteg – KISC -, nem as jornadas cotidianas para visitar as patrulhas da Operation On World durante o Jamboree Mundial foram suficientes para que sentisse dor no meu joelho esquerdo.

Sucesso! E a dica da professora de Pilates tinha grande parcela neste resultado.

Retornei em agosto com tudo e já em tratativas com meu professor para voltar a treinar kung-fu em breve. Hum… havia esquecido de mencionar que a lesão ocorreu durante meus treinos de kung-fu, por ter feito alguma postura errada (não sei se instantânea ou ao longo de determinado período).

Entretanto, cerca de 45 dias atrás voltei a sentir um pouco de dor no joelho. Retomei as sessões de gelo antes de dormir e, com o alerta aos profissionais que me assessoram, comecei a reduzir cargas e repetições. Mas, o inesperado aconteceu.

As dores aumentaram significativamente ao ponto de retornar meus exercícios aos que fazia nos primeiros dias na fisioterapia. Caminhar voltava a ser um problema e o menisco lembrava-me, a cada instante, que alguma coisa estava bastante errada.

Agendei nova consulta, com outro médico especialista em cirurgias no joelho, e ele solicitou ressonância magnética atual. O resultado, esperado por mim e pelos meus professores, foi ainda pior: ruptura total do menisco. Tratamento: cirurgia por artroscopia, que será realizada no início do mês de fevereiro.

Quem conseguiu chegar, com a leitura, até aqui deve estar se perguntando: O que isso tem a ver com o 8º artigo da Lei Escoteira?

Nervosismo a parte, por causa da artroscopia, meus amigos sabem o quanto sou brincalhão e, em razão disto, coloquei no meu Facebook algumas coisas que poderiam ser feitas (ou não), com a desculpa do meu inestimável menisco dolorido.

Nos comentários (também divertidos), o colunista Filipe Monteiro, postou que eu deveria usar os obstáculos para me tornar uma pessoa mais forte e capaz. Bingo!

Quantas vezes, no nosso cotidiano, temos oportunidade de trabalharmos e nos servirmos dos ensinamentos positivos contidos na Lei Escoteira? B-P trabalhou este conceito durante muito tempo, antes de lançá-lo aos jovens, como posturas a serem adotadas e não como condutas a serem evitadas.

Dizemos isso aos jovens com bastante frequencia. Mas com qual a praticamos?

Recentemente o ex-Vice Presidente da República, José de Alencar, deu um grande exemplo, não apenas aos Escoteiros, mas àqueles que padecem e sofrem com câncer, a todos os cidadãos brasileiros.

Sua mensagem era tão simples, quanto forte. E a origem, para nossa surpresa, estava nos ensinamentos recebidos ainda menino, mostrando o quão marcante o Escotismo pode ser: O Escoteiro sorri nas dificuldades.

Nossa obrigação, como educadores, é lembrar a todo instante que o Movimento Escoteiro faz-se da educação pelo exemplo, não do discurso ou da oratória. Temos que vivenciar (realmente viver) de acordo com os preceitos de Baden-Powell, para que as crianças e jovens que nos cercam possam aprender e inserir no seu dia-a-dia os princípios éticos contidos na Lei e Promessa.

Seguramente, são nos pequenos gestos cotidianos, nas pequenas coisas que demonstramos o quanto estamos preparados para sermos exemplo aos nossos Escoteiros. Somente assim estaremos cumprindo nosso dever de EDUCAR PARA A VIDA!


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