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Não temos dúvida, nem você leitor, nem eu, que o Movimento Escoteiro é capaz de ensinar muitas coisas, para crianças e jovens, no mundo inteiro. Uma destas coisas, que aprendi desde muito cedo, no Escotismo, é o valor da amizade.

Não falo de companheirismo ou de coleguismo. Falo de amizade de verdade!

Qualquer um de nós deve ter várias lembranças de apuros que foram solucionados em razão do Escotismo, problemas que foram minimizados, pois, algum Escoteiro acabou ajudando.

Quem me conhece já ouviu a história da patrulha escoteira Argentina, que, chegando para o Jamboree Colombo 1992, ficaria alojada num hotel, no centro de Porto Alegre. Por casualidade, nos conhecemos enquanto eles caminhavam pela cidade, recém chegados, e após 20 minutos de conversa, algumas ligações para minha casa, acabaram sendo “resgatados” do hotel e alojados lá em casa.

Passamos dois ou três dias visitando pontos turísticos, mostrando para eles a cidade e dali nasceu uma amizade que rendeu muitas cartas (quando ainda não existia e-mail) e encontros cada vez que vou para Buenos Aires.

Disse que as histórias são muitas, não? Pois, tenho amigos e amigas estrangeiros que conheço há mais de 20 anos e a quem considero como verdadeiros irmãos, cuja amizade nasceu sob a tenda dos acampamentos. Pessoas que me receberam em suas casas ou ficaram na minha várias vezes. Outros amigos, que, pelas trilhas da vida, encontro apenas nos acampamentos internacionais ou Jamborees Mundiais.

Como disse acima, muitas destas amizades nasceram no tempo em que trocávamos apenas cartas. As vezes levava 30 dias para ir e mais 30 para voltar a resposta. Hoje, com a velocidade que temos, são e-mails e comentários instantâneos no Facebook.

Neste período casamentos aconteceram (inclusive o meu), tendo muitos destes amigos como convidados especiais. Filhos nasceram, cresceram e ingressaram (ou não) no Escotismo, enquanto acompanhávamos a distância, mas com a proximidade que apenas os amigos têm.

Mais uma entre tantas histórias, acontecida recentemente, quando voltava da Conferência Escoteira Mundial, em Curitiba. Estava no Aeroporto aguardando para embarcar e vi que alguns irmãos escoteiros, de algum país asiático, estavam tendo problemas de comunicação com as atendentes da companhia aérea. Eles não falavam português, ela não entendia inglês.

Como não poderia deixar de ser, me propus a ajudar. Para infeliz surpresa, descobrimos que a passagem aérea deles para Foz do Iguaçu havia sido cancelada pela agência, o que frustraria seu passeio turístico. Depois de muita conversa com a companhia aérea, conseguimos solucionar o problema, com a compra de outros tickets para um vôo que sairia em poucos minutos.

Não havíamos nos conhecido na Conferência, mas esse encontro casual já rende frutos de uma amizade que começa com troca de e-mails, mensagens e convite para conhecer Hong Kong.

Não pensem vocês que somos os únicos protagonistas deste tipo de histórias. Desde o início do Escotismo, nosso Fundador vislumbrou, com muita convicção, que a amizade entre Escoteiros serviria para solidificar um caminho de paz entre os povos.

Tanto que os Jamborees Mundiais nasceram com tal propósito. O Jamboree de Olympia (Inglaterra) 1920 como um encontro de amizade (irmandade) entre escoteiros que ainda sofriam os reflexos da Primeira Guerra Mundial. E, para mostrar que o caminho seguido era o correto, o Jamboree de Moisson (França) 1947, para que os filhos daqueles que haviam sido inimigos durante a Segunda Guerra, acampassem juntos, vivessem aventuras e atividades em conjunto, acabando com inimizade ou animosidade.

A mensagem final deste post tem muito a ver com o título dado a ele, pois, é indiscutível o valor de uma verdadeira amizade. E aqueles que participam do Movimento Escoteiro sabem o quanto ele pode nos auxiliar a criar e fortalecer amizades,  cujo resultado será um mundo melhor. Temos muito a ensinar para nossas crianças e jovens, que serão os homens e líderes do futuro.

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