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Na semana passada aconteceu no Grupo Escoteiro Arno Friedrich – 43RS, do qual participo, um fato que entendi que seria digno de compartilhamento no blog.

Recebi cópia de e-mail de uma mãe, enviada para o Chefe da Tropa Escoteira, que se declarava preocupada com seu filho.

O menino ingressou como Lobinho e sempre foi daqueles difíceis de lidar. Brigava nas Matilhas, incomodava a Alcateia inteira e os Velhos Lobos eram obrigados a chamar sua atenção com bastante frequencia.

Quando passou para a Tropa Escoteira, estava bem maior e, assim como ele, as dificuldades de relacionamento com seus companheiros haviam aumentado. Junto com o Chefe da Tropa Escoteira, tivemos algumas conversas com os pais (que, devo destacar desde logo, sempre foram muito participativos). Na última reunião que fizemos com os pais, convidamos o jovem a participar e dissemos que ele precisava mudar, uma vez que sua indisciplina chega ao limite do insuportável, senão a Tropa não mais o aceitaria.

Mas, isso faz, pelo menos, dois anos. De lá para cá este jovem mudou bastante. Passou a ser mais participativo, interessado e muito menos causador de problemas. Conquistou várias especialidades, motivado em adquirir conhecimento e avançar nas etapas de progressão. Resumindo numa só palavra: amadureceu!

A mudança foi tão significativa que no final do ano passado, ao cruzar com ele e com seu pai, no final de uma de atividade, elogiei-o veementemente, dizendo que todos estávamos orgulhosos de como ele haviam melhorado, tornando-se um verdadeiro escoteiro.

Mas, retornando ao e-mail, a mãe (como disse antes, sempre participativa e dedicada a auxiliar o Grupo), externava sua preocupação, pois, aproxima-se a troca de Monitores da Tropa Escoteira e o menino está criando muita expectativa de que será escolhido, pelos demais Escoteiros, como um dos novos Monitores.

O Chefe da Tropa Escoteira respondeu o e-mail prontamente, explicando como funciona o processo de eleição, referiu que não há ingerência alguma dos Escotistas na indicação dos jovens, pois, a escolha é feita, com total liberdade, pelos Escoteiros. Destacou, o crescimento e a evolução notáveis do rapaz, mas, que a Tropa poderia ou não escolhê-lo como Monitor.

O que trago para reflexão é a importância da participação dos pais e como nós, Escotistas, temos o dever de chamá-los, sempre, para participar da vida escoteira de seus filhos, seja para os bons ou para os maus atos. Não podemos incorporar a prática de tratar os pais como um “órgão penalizador”, que só é chamado a intervir quando não conseguimos mais controlar os atos e atitudes das nossas crianças e jovens.

Os pais deste menino são daqueles que sempre auxiliaram o Grupo Escoteiro Arno Friedrich – 43RS. Bastava solicitar ajuda nos lanches de sábado, nas refeições de acampamento, na digitação das notas fiscais do projeto “Nota Solidária” que eles sempre se faziam presentes. Da mesma forma, participavam dos Conselhos de Pais e Assembleias de Grupo.

Quando o menino causava problema, estavam ali para ouvirem o relato dos Escotistas responsáveis e o pedido de alguma providência, no âmbito familiar. Nunca se furtaram ao seu dever. Mas, quando o jovem mudou e evoluiu, os pais também estavam ao lado dele, para ouvirem os elogios pela melhora significativa.

E a preocupação com o filho nunca deixou de existir, uma vez que, percebendo a apreensão dele com a proximidade da eleição dos novos Monitores, buscaram informar-se sobre como funcionava, quais as possibilidades dele ser um dos escolhidos e, mais ainda, o que fazer caso não fosse.

São de pais assim que precisamos: nunca participaram (formalmente) do Movimento Escoteiro, mas sempre fizeram parte do Grupo Escoteiro, sempre participaram da vida (inclusive da vida escoteira) do seu filho.

Tornar ou manter os pais presentes e participativos é uma das tarefas dos Escotistas, pois, desta forma teremos certeza de que eles incentivarão seus filhos, nos bons e nos maus momentos.

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