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O post de hoje não tem nada de autêntico. Explico melhor: não é um texto de minha autoria, mas, do francês Léopold Derbaix, extraído do livro Sempre a Direito – O segredo da vida escutista, cuja primeira edição foi publicada em 1936 e que adquiri recentemente, pesquisando em sebos na internet.

O autor explica, já no primeiro capítulo, que as histórias contidas no livro, a exceção de uma ou duas, são autênticas. Portanto, apesar do post não ser autêntico (meu), é autêntico (Derbaix).

Complicado? Mas o texto não, como veremos a seguir (pp. 354 e 355 da primeira edição portuguesa). Me permiti a “tradução” do português de Portugal (da década de 1940), para o nosso, apesar do texto continuar entre aspas.

“Há ainda uma objeção, a última e talvez a mais delicada que, por isso mesmo, não podemos deixar de ignorar.

Poder-se-ia dizer que o quadro que procuramos esboçar, tão fielmente quanto possível, do Escotismo, contrasta muitíssimo com aquilo que o mais benévolo dos nossos leitores alguma vez verificou ou verificará na realidade.

Os escoteiros em carne e osso não valem, evidentemente, os das gravuras e dos livros…

Nós procuramos apenas, não mostrar propriamente aquilo que são todas as crianças que vestem um uniforme escoteiro, mas aquilo que o Escotismo delas procura fazer.

Ora quem diz educação, diz aprendizagem e quem diz aprendizagem diz incompetência e inabilidade, que às vezes terminam por um insucesso.

Exatamente como acontece na escola, também o Escotismo não teria razão de ser, se porventura a criança tivesse forçosamente de ser perfeita antes de nele entrar.

De resto, não é menos verdade que, apesar de todas as deficiências e insucessos, apesar de todos os erros, os escoteiros têm o mérito de procurar realizar uma obra útil, precisamente quando a maioria das pessoas teimam em não fazer nada…

Não obstante todas as suas infantilidades, bizarrices e canções mais ou menos pitorescas, estes rapazes merecem a nossa simpatia e a nossa admiração.

Na realidade, os escoteiros, têm fé – uma fé ardente, entusiasta e ingênua – no seu ideal: a honra!

Procuram tornar útil a sua vida.

Querem ser um valor no mundo, abrir nele uma estrada e ocupar um lugar, não o melhor nem o mais espetaculoso, mas o mais laborioso e o mais útil.

Amam a vida, porque o olham de frente, estendendo-lhe as mãos com lealdade e heroísmo.

Amam a vida e julgam que vale a pena vivê-la porque, para eles, viver é servir!”

Ideias e sentimentos expressos por Derbaix nos anos 30, mas que permanecem atuais, especialmente, quando falamos da honra e da realização de uma obra útil (deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos). Estes são valores que todo Escotista deve ter, para que possam os escoteiros espelharem-se.

Parece-me que os educadores devem ter sempre presente qual o objetivo do Movimento Escoteiro às crianças e jovens que nos procuram e como poderemos servir de fator de modificação social.

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