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Uma escolha decisiva, não está escrita nem preordenada nas estrelas, nem prevista desde o nascimento. Temos o que chamam de “livre arbítrio” e, em razão disto, entendo que uma escolha deste porte, depende, necessariamente, da pessoa que está envolvida, da qual o futuro será diferente em razão da resolução assumida.

Quando os pais decidem colocar a criança ou jovem no Movimento Escoteiro estão tomando a decisão pelo outro, por seu filho. Certo? No meu entendimento, não. Eles dão o primeiro passo, fazem a aproximação, mas a decisão pessoal, mesmo tratando-se de crianças, não ultrapassa a fronteira da pessoalidade.

Reunidos em torno de uma fogueira, durante o 22º Jamboree Mundial Escoteiro, na Suécia – Foto: Jakob Svensson/Scouterna

Recentemente, uma amiga que havia sido lobinha, escoteira, guia e pioneira fervorosa, mas que andava afastada há muitos anos do Escotismo decorrente da faculdade, trabalho, família e etc, trouxe seu filho para um Grupo Escoteiro.

Seu passado Escoteiro, suas histórias e sua vontade de voltar do Movimento motivou o pequeno a tornar-se Lobinho. E, lógico, ao primeiro convite para tornar-se Escotista, aceitou, com a condição de participar “só um pouquinho”.

Porém, a motivação dela não ultrapassou a barreira da pessoalidade e o futuro lobinho abandonou sua carreira pouco depois de iniciá-la, para total frustração materna. Resultado: perda dupla para o Grupo, pois, filho e mãe acabaram saindo.

Não pude deixar de me questionar se haveria alguma forma de reverter a decisão do pequeno de abandonar as fileiras do Escotismo (quem sabe trocado por umas horas a mais de videogame ou de futebol aos sábados).

Sinceramente, acho que pouco poderia ser feito, visto que não foram as atividades, os bivaques ou o convívio da Alcateia que deixaram de cativa-lo.

Minha especulação sobre o caso é de que o pequeno foi levado pelo ímpeto de seguir os passos maternos e, ou não estava maduro o suficiente (e voltará num futuro próximo) ou “não nasceu pra isso” (e nunca percorrerá a trilha do Escotismo, deixada por sua mãe).

Alguns dirão que a família poderia ter insistido um pouco, outros acreditarão que faltou o “gostinho de quero mais” ao final das atividades, outros, ainda, que não temos como concorrer com videogame e futebol.

Entretanto, minha análise não se restringe a estas questões pontuais. Parece-me que esta situação reforça minha tese de que quem faz a escolha sobre permanecer ou não no Movimento Escoteiro é o indivíduo. E como tal, cada Lobinho, Escoteiro, Sênior ou Pioneiro deve ser considerado.

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