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A relação entre o Escotista e as crianças e os jovens sempre foi, de modo geral, uma via de mão dupla, no que diz respeito ao afeto, ao respeito e ao compromisso com o outro. A construção desta relação foi trabalhada, trama à trama, ao longo do século escoteiro.

Sei que muitos poderão pensar que é estranho falar em afeto, quando a preocupação que impera, hoje, é a de evitar abuso infantil. E não falamos apenas de “violência sexual”, mas, de todo tipo de abuso (físico ou psicológico) que pode ocorrer numa relação tida como “disciplinadora” de crianças e jovens, que é como muitos (pais ou não) enxergam o Movimento Escoteiro.

Antes de mais nada, esta visão equivocada deve ser esclarecida, para que não reste dúvida que o Movimento Escoteiro é educação para a vida, mas, de forma complementar  no desenvolvimento do jovem, por meio de um sistema de valores que prioriza a honra, baseado na Promessa e na Lei escoteira.

No meu entender, o Movimento Escoteiro deverá trabalhar, ativamente, em todos seus segmentos, para evitar qualquer tipo de abuso, por parte de seus educadores e esta tarefa pode ser facilitada com a correta utilização de ferramentas tais como o afeto,  o respeito e o compromisso com o próximo (aqui entendidos como as crianças e os jovens que participam do Escotismo).

Paulo Freire, em Pedagogia da Autonomia (p. 141) questiona: “o que esperar de mim se, como professor, não me acho tomado por este outro saber, o de que preciso estar aberto ao gosto de querer bem, às vezes, à coragem de querer bem aos educandos e à própria prática educativa de que participo.”

Na visão do notável pensador da pedagogia mundial, não basta atirar-se ao labor de educar. É necessário ter estima e consideração, não apenas pelos educandos – que no caso do Escotismo, tem idades variando de 6 a 21 anos -, mas, pela prática educativa.

Quem não gosta do que faz, não faz bem feito, é uma máxima conhecida por todos.

Quem não suporta mais (ou nunca suportou) a rotina da Alcatéia ou de uma Tropa, não haverá de ensinar corretamente as crianças e jovens e, invariavelmente, acabará praticando abusos físicos ou psicológicos numa prática destrutiva do ser humano em formação.

É importante nos darmos conta disto: estamos tratando com um ser humano em formação. Tudo o que fizermos terá, de uma forma ou de outra, reflexo neste ser. Por tal razão é que a prática do trabalho em equipe e da vida ao ar livre, fazendo com que estes seres em formação assumam seu próprio crescimento (de acordo com o entendimento e discernimento da faixa etária), os auxiliará a tornarem-se exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina.

Na dúvida sobre nosso agir? Devemos tomar o melhor exemplo que conhecemos em cada Grupo Escoteiro, em cada curso escoteiro, em cada acampamento. A fugira que personifica o ideal Escoteiro: Baden-Powell.

O nosso fundador deve servir de fonte de inspiração e de modelo de conduta para cada um dos Escotistas e Dirigentes do Grupo. Sem esta linha mestra, mesmo sem querer, acabamos saindo do prumo.

Um homem com valores sólidos, com uma conduta ilibada e que fez, sempre, seu melhor possível para deixar o mundo um pouco melhor.

Assim devemos tratar nossas crianças e jovens, não esquecendo que somos, para eles, como irmãos mais velhos. Irmãos que mantém o afeto, o carinho como tônica da educação, preocupados com a qualidade do ensinamento, do Escotismo que estamos praticando. Como disse Paulo Freire: ensinar exige querer bem aos educandos!

Seria desnecessário dizer, mas, convoco cada um de vocês a fazer uma reflexão profunda sobre o papel exercido, por si, perante os jovens. Se estivermos desalinhados com o que nos ensinou nosso Fundador, aproveitemos para ajustar o rumo antes de seguir adiante.

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