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Não devo ser o único que ficou estarrecido com as informações que circularam na mídia, durante a semana passada, sendo um deles com o título “Arquivos da Perversão”, relatando casos de abuso sexual cometidos por Escotistas em gerações de Escoteiros vinculados a Boy Scouts of America – BSA.

O caso veio à tona em razão de uma “lista negra” elaborada pela associação escoteira americana, que continha mais de 14,5 mil páginas de documentos, sobre mais de 1.200 pedófilos, casos ocorridos entre 1965 e 1985, e divulgada por um escritório de advocacia em demanda julgando abusos sexuais contra crianças.

Discordo do que diz a mídia, que os pedófilos não foram processados para não abalar o prestígio desta instituição centenária. Mas, não posso dizer que concordo com a associação, ao não denunciar os abusadores. Meu sentimento é o de que, constatado este tipo de situação, ele não pode passar em branco, pois, a minha omissão é quase como um salvo conduto para que o abusador possa seguir adiante, fazendo o mesmo com outras crianças.

Um ponto de destaque que faço é o de que a Boy Scouts of America somente está sendo execrada, neste momento, porque criou a lista para afastar, para sempre, os pedófilos de suas fileiras.

Isso me lembra que não estamos livres de situações como esta ocorrerem “nas nossas barbas”. E a minha preocupação fica ainda maior quando penso que no Brasil não teríamos tais casos documentados (pois duvido que não existam situações semelhantes), impossibilitando a identificação dos abusadores.

Sugiro que fiquemos “sempre alerta”, não apenas à violência sexual, mas a todo e qualquer tipo de maus tratos que nossas crianças ou jovens possam sofrer. É nossa obrigação zelar pela segurança, pela integridade física e psicológica das nossas crianças e jovens, no que alguns teóricos do assunto chamam de Doutrina da Proteção Integral.

Em caso de suspeita, não hesite, achando que a criança está exagerando. Mas, tenha cautela e discrição, procurando pessoas competentes e mais qualificadas para lidar com o assunto. Afinal, qualquer organização que trabalha com criança ou adolescente está sujeita a abusos, de pessoas que se aproximam e conquistam seu espaço com uma única razão: tomar proveito de sua condição para abusar.

Nosso Norte deve ser o de fazer o “melhor possível” para evitar este tipo de conduta, tomando todos os cuidados necessários e, se for o caso, entregando o suspeito às autoridades e instaurando um Procedimento Ético Disciplinar. Devemos zelar pela integral proteção das crianças e jovens que fazem parte do Movimento Escoteiro.

Fugindo um pouco do tema, mas ao mesmo tempo, mantendo a pertinência do assunto, recentemente, durante o Curso Avançado de Dirigentes Institucionais, ao preparar uma apresentação sobre a Comissão de Ética e Disciplina, estudei, novamente, a Resolução 03/2008. Me ative aos artigos 52 e 53, que tratam da efetividade no cumprimento de medida disciplinar, determinando a obrigatoriedade de informar ao Setor de Registro do Escritório Nacional qualquer medida aplicada.

Este procedimento nos dá segurança de que, qualquer pessoa que tenha sofrido alguma medida disciplinar, em qualquer esfera da UEB, terá anotado tal fato nos seus registros escoteiros, dificultando a reincidência em outro Grupo Escoteiro ou Estado da Federação (pelo menos, é o que se espera que esteja ocorrendo – também devemos ter a “nossa lista negra”).

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