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Quem me conhece, sabe que sou escoteiro. Não escondo, nunca escondi. Nos meus círculos de amizade ou numa roda de conversa, sempre que tenho oportunidade, coloco o Movimento Escoteiro na pauta.

Em razão desta ostensividade, as pessoas acabam me presenteando com “coisas” escoteiras ou que tenham relação com o Movimento Escoteiro. Algumas relíquias, outras tantas velharias. De uma forma ou outra, sempre acabo recebendo muitas coisas interessantes.

Algum tempo atrás, entregaram-me um recorte de jornal de Balneário Camboriú/SC. Nele, havia o relato de uma moradora cansada de ver e ouvir na mídia o que ela chamou de “massa solidificada de acontecimentos ruins”: crime, violência, corrupção, desastres, acidentes de trânsito, etc.

Cansada, não lia mais jornal, não ouvia mais rádio, nem via televisão. Sua diversão: a janela.

Pois, ela relata que deste seu privilegiado ponto de observação, num domingo de manhã, olhava o rio e viu, fazendo a curva, umas pequenas e rudimentares embarcações.

Surpreendeu-se ao ver, quando aproximaram-se, que eram Escoteiros, cantando felizes e divertindo-se, enquanto recolhiam o lixo da margem. Até aqui, nada de diferente do que nós sabemos que o Escotismo é capaz., experiências pessoais semelhantes a que muitos de nós temos.

Porém, o que me fez refletir foi o desabafo desta senhora. Ela dizia que nos dias seguintes muito procurou, mas não encontrou nenhuma reportagem, nenhuma entrevista, uma página, uma linha sequer, fazendo referência ao trabalho hercúleo no qual estavam metidos aqueles Escoteiros. Disse que não sabia que haviam Grupos Escoteiros em Camboriú e que, se dependesse da mídia, continuaria não sabendo.

Sim, eu sei que não praticamos nossas boas ações esperando recompensa. Sei que não tentamos deixar o mundo um pouco melhor para recebermos os louros. Entretanto, não podemos deixar que nosso trabalho seja visto por uns poucos que ficam em suas janelas, apreciando a manhã de domingo. Em especial quando a sociedade clama por educação (de qualidade) em todos os tipos de mídia.

Parece-me que devemos aprender a valorizar o nosso trabalho, dando a publicidade que ele merece, mostrando a razão pela qual somos Escoteiros, no que acreditamos e pelo que trabalhamos. Se a sociedade quer educação de qualidade, o Movimento Escoteiro é um dos caminhos possíveis. Mas, para tanto, a ela deve ser dado a conhecer o Escotismo.

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