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No início do século XX, Baden-Powell resolveu revolucionar.

Revolucionar o quê? A forma com a qual a sociedade inglesa “fazia” a sua juventude e como esta mesma sociedade poderia construir um mundo melhor, sobre uma base sólida de valores, com cidadãos conscientes e responsáveis, dedicados e confiáveis, limpo de corpo e alma.

Scouting_in_Russia_postcardDurante a tentativa de imaginar o que ele poderia fazer, B-P percebeu que precisava (ele mesmo) começar a criar, hoje, o mundo que ele desejava para o dia de amanhã. Entretanto, isso não seria possível caso não conseguisse inspirar outras pessoas. O desafio era enorme, pois, ele precisava fazer com que as pessoas, mais do que acreditar na sua ideia, compartilhassem/vivessem este mesmo ideal.

Para que esta fórmula desse certo, o primeiro passo foi de inclusão do indivíduo na construção da relação entre direitos e deveres, como agentes da sociedade. Ele compreendeu que as crianças e jovens precisavam de orientação para que encontrassem o rumo. E que este rumo tinha como princípios o dever para com Deus, para com os outros e para consigo próprio.

A energia anima. O carisma inspira. Baden-Powell tinha muito dos dois.

Se B-P vivesse no Brasil de hoje, tenho a impressão de que o sentimento dele seria o mesmo: nossa sociedade está falida, sob vários aspectos. Logo, a conclusão seria a mesma: a sociedade brasileira também precisa de uma revolução. Não como aquela que nos “independizou”, em 1822. Menos ainda como a de 1964, que nos deixou sob um regime ditatorial e autoritário até 1985.

Uma revolução idêntica a que ele criou em 1907, engajando os jovens na participação em sociedade, com a realização de boas ações cotidianas e no serviço ao próximo de forma contínua, responsável e progressivo. Uma revolução que possibilite o crescimento saudável e o auto desenvolvimento (físico, moral e intelectual). No meu entender, uma revolução semelhante a que ocorreu na Coréia do Sul: uma revolução educacional, que por meio de diversos fatores, acabou por mitigar as desigualdades existentes no país asiático. E, para sermos honestos, de desigualdades o Brasil entende muito bem!

O link entre a revolução pretendida por B-P (lembre-se que ele queria revolucionar a sociedade inglesa e, com isso, criar um mundo melhor!), a Sul-Coreana e a que o Brasil necessita urgentemente, é que todas tem como norte a questão educacional. E, da mesma forma, seja qual delas for, só ocorre como um movimento social. Algo naquilo que a sociedade sinta-se inspirada e tenha ânimo para fazer acontecer.

Dia do Escoteiro

Hoje comemora-se, no mundo inteiro, o Dia do Escoteiro. Mas o que temos para comemorar, em termos de Movimento Escoteiro, no Brasil?

Meu questionamento não é apenas uma questão retórica. Faço a pergunta porque acredito que devemos refletir sobre isso.

No meu sentir, como adultos voluntários do (e no) Movimento Escoteiro, temos a obrigação de falar e de fazer apenas aquilo em que acreditamos. Sim, esta é a “famosa” educação pelo exemplo tão difundida por nosso Fundador. As crianças e jovens percebem, muito antes do que pensamos, quando nossas ações e discursos não estão em sintonia.

Esta dissonância entre o dizer e o fazer acaba com o processo educativo do Escotismo, fazendo com que a nossa “revolução” fique cada vez mais distante e mais improvável.

Alguém poderia dizer (e acredito, sinceramente, que vários pensarão assim) como era o senso comum na fábula da determinação: “Um pouquinho de água que carrego no meu bico não vai conseguir apagar essas imensas chamas”.

Se Baden-Powell tivesse pensado assim, nenhum de nós teria o que comemorar no dia de hoje.

E você: o que tem para comemorar no Dia do Escoteiro?

Sempre Alerta para Servir!

 

 

 

 

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