Agora temos um Movimento, mas cuidado…

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Toda sociedade modifica-se, naturalmente evoluindo, avançando e desenvolvendo seus padrões culturais. Notadamente vem se tornando cada vez mais inclusiva.

Não é diferente com a educação e, mesmo não sendo um estudioso do tema, posso afirmar que sofreu profundas transformações nas últimas décadas.

O Movimento Escoteiro, também sofreu mudanças significativas, seja por seu caráter educacional, por tratar-se de um marco na sociedade mundial ou mesmo para adequar-se as necessidades/prioridades das gerações “X” (nascidos entre 1960 e 1980), “Y” (pós 1984 até 1990) e “Z” (nascidos a partir dos anos 1990).

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Entretanto, nosso Método permanece atual e, ao mesmo tempo, inovador. Sua abordagem para atingir os objetivos de formação do caráter e de valores, de criação de um ser humano que se posicione como um cidadão ativo e participativo em sua sociedade é que foram adequados as novas necessidades.

Muitos de nós pudemos sentir estas mudanças havidas recentemente, mas o próprio fundador do Escotismo, Baden-Powell nos alertava: “Primeiro tive uma idéia. Mais tarde vi um ideal. Agora temos um Movimento, e se alguns de vocês não ficarem atentos terminaremos somente com uma organização.”

Este alerta, feito nos primórdios do Movimento, nos chama a atenção para que não percamos o Norte do Escotismo e que não fiquemos com discussões secundárias.

A importância do Movimento não pode ficar perdida em meio a adultos que acreditam ter uma organização para si, para sua valorização pessoal ou para realizar frustrações.

Não foi a toa que John Skinner Wilson, primeiro Diretor do Boy Scouts International J S Wilson December 1952Bureau (posteriormente Bureau Mundial), escreveu que “ao terminar a segunda guerra mundial, muitos de nós sentiram a necessidade de reafirmar ao mundo as verdades singelas da honestidade, da caridade, da solidariedade e da confiança em si.

Será que tais “singelas” virtudes perderam a atualidade? Ou teriam perdido talvez a necessidade no nosso século? Não se aplicariam essas verdades ao que esperamos dos futuros cidadãos de um país como o nosso Brasil?

Somos adultos voluntários no Escotismo porque acreditamos ser capazes de tornar os jovens – assim como almejou B-P – bons cidadãos.

Lutemos por isso até o final, com todo esforço e na certeza de termos feito o nosso melhor possível nesta tarefa, pois, somente assim não teremos desperdiçado nosso tempo, nossa passagem, por este planeta.

O triunfo da top model Gisele Bündchen

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No domingo, dia dos pais, o jornal Zero hora publicou uma entrevista com o sociólogo Valdir Bündchen – pai da top model Gisele. Falando sobre ela, diversos profissionais de moda destacam as características mais marcantes e que seriam os diferenciais da Gisele Bündchen, não apenas no mundo da moda: disciplina, educação, respeito, ética e pontualidade.

gisele-bundchenOnde ela aprendeu tudo isso? Não vão se enganar, pois não foi no Escotismo. Segundo seu pai, todos estes valores foram moldados e desenvolvidos com base na educação recebida em casa.

Muito se fala, cada vez com mais destaque em nossa sociedade, da importância da educação não formal, pois ela é que nos dá as bases do ser humano, do cidadão e que podem melhorar o nosso mundo (seja ele o nosso bairro, cidade ou país).

A família é o seio da educação, ou, popularmente: educação vem de berço!

Sim, é desde pequeno que as crianças aprendem os limites, tão importantes para a vida em sociedade, para o respeito e para a responsabilidade pelos seus prórprios atos, da infância até a vida adulta.

O Sr. Valdir Bündchen mencionou, em sua entrevista, que lhe marcou muito o que ouviu de uma pedagoga:

“Quando você tem um filho pequeno, até os sete anos, você tem que colocar o casaco nele. Dos 7 aos 14, você amarra o casaco na cintura e diz: ‘Se esfriar, você usa’. Depois dos 14, você diz: ‘Olha como está o tempo e vê o que você precisa levar”.

A vida é assim, com a construção dos valores da criança desde cedo, pelo que ela vê, sente e vivencia. E, dali em diante, todas as experiências futuras terão como referência a educação recebida.

Urso polarAqui chegamos ao Movimento Escoteiro, sabendo que as crianças chegam até nós com 50% do seu caráter formado e que continuam aprendendo pelo exemplo.

O Escotismo é uma ferramenta (como ocorre desde 1907) muito útil, capaz de valorizar a realização individual e a participação construtiva tão desejada na sociedade moderna. Os Escotistas devem ser capazes de consolidar tudo que a criança ou o jovem aprendeu até ali, reforçando a ética, a responsabilidade, a honra e os deveres para consigo mesmo, com sua pátria e com o próximo.

O Movimento Escoteiro fortalece, qualifica, ajuda a concretizar a educação recebida de casa, da igreja e da escola, com eficácia comprovada pelos mais de 100 anos dedicados a construção e fortalecimento destes valores. Tenhamos consciência disto e sabedoria para utilizar estas ferramentas de acordo com o nosso Método: ACEITAÇÃO DA LEI E DA PROMESSA ESCOTEIRA, APRENDER FAZENDO, VIDA EM EQUIPE, ATIVIDADES PROGRESSIVAS, ATRAENTES E VARIADAS e DESENVOLVIMENTO PESSOAL COM ORIENTAÇÃO INDIVIDUAL.

Podemos não formar muitas top models no Escotismo, mas somos Educação para a vida!

Albert-Einstein

Honestidade virou exceção?

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Um programa de rádio de Porto Alegre, hoje de manhã, perguntava se honestidade virou exceção.

O foco da discussão era a boa ação do menino Lucas Eduardo da Rosa, de 12 anos de idade, aluno da Escola de Ensino Fundamental Professora Ana Íris do Amaral, veiculada em vários canais de TV na semana passada.

Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Ele e o irmão menor estavam a caminho da escola quando encontraram uma carteira que continha R$ 1.500,00. Assim que chegaram na escola, procuraram a professora e entregaram a carteira com os documentos de uma idosa e todo o dinheiro encontrado.

Estas duas crianças são muito pobres e a escola fica na periferia de Porto Alegre. O dinheiro encontrado faria uma grande diferença para a família. Mas, como o Lucas falou em entrevista na TV, sabia que o dinheiro não era deles e que poderia ser de alguém que estivesse precisando muito para pagar suas contas, comprar comida ou até mesmo de remédios. Este último era o caso da aposentada de 74 anos que havia perdido todo o valor recebido no mês.

A polêmica levantada na rádio pareceu-me muito pertinente: quais são os valores do ser humano atualmente que encontrar uma carteira com dinheiro e devolver vira manchete nacional?

A boa ação dos irmãos Lucas e Oséias é o que se espera de todo ser humano, para viver em sociedade. De alguém que seja realmente preocupado com os demais. É fazer para o outro o que espera-se que seja feito para nós mesmos. Em outras palavras: agir como um Escoteiro!

caminhoSerá que o Escotismo ainda é sinônimo de honra tão elevada quanto a destas crianças?

Será que os valores que estamos transmitindo aos nossos jovens tem toda esta abrangência?

Será que as nossas ações correspondem aquilo que, voluntariamente, prometemos fazer mas que obrigatoriamente temos que cumprir?

Somos exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo e respeito para qualquer criança e jovem, faça parte ou não do Movimento Escoteiro?

Algumas vezes nos decepcionamos com o Movimento, como se as pessoas que dele fazem parte fossem o próprio. Mas não o são. É custoso, para muitos, fazer esta separação entre o ser falível e a Instituição.

O Método Escoteiro alinha boas práticas de vida, pautadas pela honra, integridade, lealdade, respeito pela propriedade e bom-senso, além de outros valores exaltados e exultados por todos.

Se você quer ser um bom Escotista, haja sempre e cada vez mais como estas duas crianças que nos deram um verdadeiro exemplo de vida.

Certamente serás capaz de ensinar, pelo exemplo, esta lição para muitas e muitas crianças ao longo de sua vida útil no Escotismo.

 

Determinação, nossa e deles para fazer o Melhor Possível

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Assisti, tempos atrás, a apresentação da Dra. Angela Lee Duckworth no TED TALKS, na qual fala que pesquisas científicas, elaboradas por psicólogos americanos, apontam que a chave para o sucesso pode estar na determinação.

Já vi algumas vezes este vídeo e sempre surpreendo-me com importantes questões contidas na fala dela. Como acontece comigo várias vezes, refleti sobre o assunto do ponto de vista do Movimento Escoteiro.

determinação

A certa altura ela pergunta: Como gerar determinação nas crianças? Como fazer para ensinar-lhes uma ética de trabalho sólida?

Segundo meu entendimento, tais questões também estão postas na cabeça dos Escotistas a cada novo sábado de atividade. E uma das resposta pode estar no trabalho em equipe, desde que observado o respeito das individualidades. Também, no que a educação escoteira tem de melhor, colocando de “conta-gotas” valores positivos e cooperativos na vida destas crianças e jovens, em situações que passam a ser rotineiras e permanentes, formando e forjando o cidadão responsável e preocupado com o futuro da cidade, do país e do mundo.

Para instigar-nos ainda mais, a Dra. Angela questiona como podemos manter crianças e adolescentes motivados no longo prazo? Novamente o Movimento Escoteiro tem uma das respostas: atividades atraentes, progressivas e variadas.

Todo Chefe de Seção sabe que o crescimento do efetivo está ligado ao sucesso das atividades escoteiras. Se o sucesso for efêmero, a permanência dos jovens será temporária e a evasão será o resultado.determinação 2

Como referi antes, vejo o Movimento Escoteiro numa ação em “conta-gotas”, ou seja, precisamos de um longo período para visualizar o resultado do fortalecimento dos valores, do caráter e da ética forjando nossos jovens. Por ser um trabalho de médio e longo prazo, não podemos dar chance à evasão.

Logo, as atividades devem, necessariamente, serem  as mais atraentes, mantendo a progressividade e a variação que mantenha-os esperando pelo próximo capitulo. Devem estar de acordo com a expectativa dos nossos jovens, sem perder o caráter educativo, como nos dizia B-P.

Neste caminho, retorno ao que ensina a Dra. Angela Duckworth: Devemos estar dispostos a tentar,a  falhar e a começar de novo com as lições aprendidas. Precisamos estar determinados a tornar nossas crianças mais determinadas.

Logo: façamos o nosso Melhor Possível!

Uma boa estratégia

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Conseguir coisas que até então pareciam impossíveis?

Podemos não encontrar a solução para tudo aquilo que buscamos na vida. Mas, um ótimo começo é ter uma estratégia.

Corredor de obstaculos“Afinal, isto é apenas um jogo. Não vou morrer se perdê-lo. Não se pode vencer sempre, mas, apesar disto, continuarei persistindo para aproveitar uma chance que apareça”.

Como esta simples frase, B-P consegue nos dizer muitas coisas.

Usando a simbologia do JOGO (como fez inúmeras vezes) ele abordou a honestidade esperada do cidadão de bem e a perseverança daqueles que tinham o futuro da nação nas mãos. Audaz, nosso Fundador traçava planos concretos para os rapazes que procuravam o Escotismo, dando um Norte para cada um deles, mas fazendo com que aprendessem a usar a sua própria bússola.

Estes planos tinham boa dose de estratégia. Estratégia de militar, de instrutor, de sobrevivente, de herói e, porque não dizer, de Chefe Escoteiro. Tendo o Movimento como um método, auxiliava a moldar, a forjar o caráter destes jovens com uma série de atributos positivos e desejáveis para qualquer pai de família, empregado ou empregador, civil ou militar.

Aprender fazendo. Pensar e repensar as pequenas coisas que, algumas vezes, nós mesmos colocamos como obstáculos. Rever algumas atitudes e reposicionar-nos perante um contratempo. Esta é a forma proposta por B-P para que, sozinho, os jovens pudessem encontrar uma saída ou um novo caminho e, assim, progredir além daquilo que os impedia de avançar.

A solução para a vida adulta deve ser moldada desde cedo. E ele nos ensinou isso. Mas, para tanto, nós, adultos voluntários do Movimento Escoteiro, também devemos nos preparar. Uma boa estratégia é a solução para muitos percalços.

nunca_desistirCorrigir nossas rotas para manter o foco e assim atingir os objetivos traçados no início da jornada. Se nos mantivermos cada vez mais motivados, nossos jovens também o farão. Se nos mantivermos alertas aos obstáculos, procurando a melhor saída encontraremos o sucesso.

Todos nós devemos ser cada vez mais eficientes, competentes e dedicados. Somente assim faremos a diferença para as crianças e jovens do Movimento Escoteiro, somente assim é que faremos a diferença em nossas próprias vidas e nas deles também.

Desenvolvendo (bons) hábitos

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Não importa o que você faça, só alcançará a excelência se treinar. Não existe mágica. Ou seja, só com muita dedicação vai conseguir transformar você e seus atos.

Kate

Por exemplo: Se quer ser disciplinado, todos os dias, a cada manhã, deverá comprometer-se com a disciplina. Isso vale, também, para rebater aquele velho conceito de que não adianta tentar, pois “nasceu assim e vai morrer assim”.

A teoria e a prática demonstram que o Movimento Escoteiro ajuda a criar bons hábitos, desde muito cedo. Quando Lobinhos aprendem a viver em sociedade, colaborando uns com os outros, estamos auxiliando-os a criar estes hábitos.

Avançamos. Procurando auxiliar no desenvolvimento do jovem, utilizamos como base um sistema de valores. Reforçamos, portanto, aqueles valores recebidos na família, na comunidade religiosa ou na escola.

Pouco a pouco, cada uma das crianças e jovens que integram o Escotismo vai adquirindo e fortalecendo bons hábitos para tornar-se um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina.

papa2Já dizia Santo Tomás de Aquino que um bom hábito é uma virtude, um mau hábito é um vício.

Por isso, não basta aos Escotistas apenas recitar ou descrever como devem ser as ações. Não é suficiente ler um manual de como portar-se ou sobre o que fazer para tornar-se um bom cidadão, uma pessoa de caráter, confiável.

É preciso praticar, treinar, comprometer-se pessoalmente com os ensinamentos que pretendemos passar com a formação do novo hábito.

Assim, ele vai formando, tornar a pessoa cada dia melhor. Cada vez mais um escoteiro, de corpo, alma e atitude.

Tougher than a boy scout?

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Are you tougher than a boy scout?

Você deve ter pensado que o Márcio Sequeira enlouqueceu, escrevendo um post em inglês ou que o blog foi hackeado?

logo ThougherNem uma coisa, nem outra.

Muitas gerações (assim como a minha) cresceram vendo nas telas Hollywoodianas os Escoteiros correndo, acampando, vivendo aventuras, salvando a festa, o bairro ou até mesmo o mundo.

Para quem fazia parte do Movimento Escoteiro, reconhecer um lenço ou os distintivos de especialidade numa faixa atravessada no peito (bem ao estilo BSA) era o máximo. E nós vibrávamos com esse momento!

Mas, os Escoteiros cresceram, amadureceram (também em Hollywood!), viraram o século e passaram para o National Geographic Channel.

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Quem ainda não viu o Are you tougher than a boy scout?

O programa tem o seu (melhor) estilo Homem vs Escoteiros, para saber se os “marmanjos” conseguiriam receber as mesmas especialidades que os jovens.

Isso deve-se ao fato de que nos Estados Unidos os Escoteiros vivem e respiram nosso lema: Sempre Alerta! Para a vida.

Lá, eles são considerados fortes, engenhosos e auto-suficientes. Honestos, úteis e corajosos. Como diriam os Norte Americanos, eles são durões (= tough).

O que o Nat Geo Channel pergunta é se o cidadão comum seria seria capaz de atravessar por uma corda esticada sobre um rio de corredeiras, andar numa canoa em um lago sem nenhum e resgatar um alpinista ferido? Será que eles teriam pique para fazer tudo o que está contido no Programa Escoteiro?

Com esta nova série, entendo que o Nat Geo Channel reforça uma ideia que já está inserida na sociedade norte americana, desde os primórdios do Movimento Escoteiro.

are you toughtComo não poderia deixar de ser, o texto de hoje vai nos conduzindo para uma reflexão.

Por que a BSA é conhecida e renomada por dar aptidão física e bons exemplos de cidadania aos jovens? Por que nos Estados Unidos a lista de ex-Escoteiros inclui congressistas, governadores, presidentes e astronautas?  Por que lá o Escoteiro é notoriamente confiável, leal e cortês?

E por que no Brasil não?

Desenvolver e qualificar líderes por meio de um programa variado de atividades, pela realização individual e a participação construtiva em sociedade. Aventura ao ar livre, vida em equipe e serviço comunitário, sendo capaz de produzir uma real contribuição na criação de um mundo melhor.

Isto é o que fazemos. Este é o nosso Movimento Escoteiro!

O que é necessário para termos esse reconhecimento no Brasil?

 

Coluna do Filipe: Grupo Padrão, por quê?

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Se você não conhece, nunca ouvi falar ou o seu Grupo não se preocupa em conquistar o Distintivo e Troféu de Grupo Padrão, deveria!

Mas afinal, por que! Primeiro passo: -Conhecer as etapas de conquista do GP, acesse em http://www.escoteiros.org.br/institucional/grupo_padrao.php e veja todas as etapas. Depois, deve-se ter comprometimento de cada escotista e da diretoria do Grupo. E então fazer um planejamento de todas as etapas durante o ano.

O troféu que o Grupo receberá será merecido de acordo com a pontuação somada e cumprimentos das etapas obrigatórias e eliminatórias, e serve para mostrar o trabalho de um ano, o comprometimento e o cumprimento da proposta do movimento escoteiro em sua essência.

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O GP estimula que se execute o mínimo que cada Grupo deve fazer para poder dizer que está de acordo com o método escoteiro. Não desmerecendo os GEs que não tiveram a oportunidade de conquistar em qualquer dos níveis.

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Proponho que o seu GE nomeie um responsável para juntar as informações e cobrar as etapas durante o ano, este pode ser o Diretor de Escotismo ou outro voluntário que se empenhe desta tarefa. No começo pode parecer complicado, mas após uma profunda avaliação e conhecimento das etapas e planejamento torna-se fácil a conquista e possível evolução de nível a cada ano, se com o bom trabalho já conquiste do nível ouro.

Sugira o assunto da próxima semana.

Sempre alerta!

Um professor diferente

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O texto de hoje não é de minha autoria (primeira vez em dois anos e meio de blog), mas de Renato Ricci, colunista da revista Exame.

Achei pertinente a questão proposta, que para mim, tem uma ligação com o Movimento Escoteiro, mas, gostaria de saber sua opinião também.

Afinal, somos, de certa forma, professores para muitas crianças e jovens. Porém, o somos de uma maneira muito diferente, procurando que os nossos Escoteiros nos digam o que querem aprender e nós os guiamos pelos caminhos da vida.

professores

– Pessoal o que vocês querem aprender hoje, pergunta o jovem professor com ar de desafio.

– Ora professor, você é o professor e isso o obriga a preparar uma aula com antecedência – essa pergunta não faz sentido – irritado responde um aluno.

– Hoje vamos fazer diferente, vamos usar o tempo para aprender o que vocês tiverem interesse. Insiste o professor calmamente.

– Saí dessa cara, pirou mano? Acordei cedo pra ouvir alguma coisa, sei lá o que, manda logo… Outro aluno com ar de deboche.

– Tiago larga esse celular e me diz o que você quer aprender hoje? Brinca o professor.

– Aprender? Sei lá, o que você gostaria de ensinar? Manda aí velho – na boa, o que você escolher eu estou dentro.

O professor resolve então perguntar para a melhor aluna da classe, Mariana, o que ela gostaria de aprender.

– Professor, já que não preparou a aula, acho que poderíamos rever o nascimento do período pós moderno, ou quem sabe os efeitos do capitalismo nos países de cultura oriental, ou quem sabe…

– Para com isso, de novo não, isso já era, a prova já foi – responde irritado um colega de Mariana.

O professor novamente ataca.

– Amigos hoje vamos fazer uma aula muito diferente, que eu nunca dei antes – o tema vocês escolhem e eu desenvolvo, quem sabe com a ajuda de vocês.

– Professor, fica tranquilo, esquecer de fazer a lição de casa é a coisa mais normal do mundo, você sabe disso. A semana que vem você prepara a aula e tudo bem. Ninguém aqui vai se preocupar, apesar dessa escola custar os olhos da cara – segundo meu pai.

– Eu não esqueci de planejar a aula, só quero que vocês me digam o que querem aprender hoje – irrita-se o mestre.

– Tá bom vamos parar com essa bobagem, fala em tom exaltado, Emílio – o Galo como é conhecido. Revisa qualquer coisa pois eu preciso de 8 na próxima prova senão tô ferrado.

– Galo isso não tem nada ligado com nota, hoje o tema é livre, e nem vai cair na prova – explica o professor no mesmo tom.

– Pô se não tem nota o que eu faço aqui cara? Retruca Galo, vermelho de raiva.

– Quem sabe se você aprenda algo que goste, somente hoje, só hoje, prometo… implora o professor.

– Ok, quero aprender sobre como é ser professor – responde o baixinho e fanhoso Ludovico – o aluno mais calado da turma e com cara de cientista maluco.

– Obrigado Ludovico por ajudar. É um bom tema. Podemos falar um pouco sobre isso sim.

– Que saco! Grita Galo.

– Mas eu não quero ser professora, diz Mariana com ar de ironia.

– Minha mãe disse que professor é o cara que não conseguiu ser nada na vida, e acabou tendo que dar aulas. Enfatiza outro aluno do fundo da sala.

– Ok, talvez esse seja mesmo um bom tema. Vou falar como é ser professor. Começa o mestre em tom motivado.

– Professor é o cara que tem a função de ensinar aos outros tudo aquilo que, muitas vezes, eles não querem e nem tem interesse em saber. É o cara que tem que aguentar alunos desinteressados, usando esses malditos celulares, enquanto explica, tem que falar mais baixo para não atrapalhar as conversas em grupo dos alunos. No meu caso é um cara que ganha bem, mas em outros pode receber quase nada. Tem aqueles que estudaram muito e que ainda estudam para se manter atualizados, ou tem aqueles que prepararam a sua aula há vinte anos atrás e ainda continuam ensinando os alunos da mesma forma. Existem os professores teóricos, ou aqueles com grande vivência, ou com experiência prática. Existem os que brincam de ser professores, e os que são professores brincando. Alguns chegam a fazer o papel de educadores que os pais e mães deveriam fazer. Alguns apenas ensinam, outros aprendem com o aprendizado dos alunos. Alguns somente se preocupam com as notas, provas, avaliações e, claro, o vestibular. Outros preferem focar nos valores que são passados todos os dias. Alguns são os melhores amigos, outros carrascos, ou megeras, escondidos atrás de uma carapuça de donos do conhecimento e seres superiores. Alguns são dinâmicos e malucos, outros lerdos e chatos. Existe o professor que sabe ouvir. Existe o professor que sabe falar. Existe aquele que não domina nenhuma dessas duas técnicas. Ser professor é ser um aprendiz. Ser professor é ser um ser em constante mutação. Ser professor é olhar para cada aluno como uma possibilidade de crescimento. Ser professor é muito mais do que planejar e dar uma aula, é ser um ser – que recebeu o dom de ensinar outros a aprender, de aprender a ensinar, de aprender a aprender.

Aula encerrada, alunos calados e em estado de reflexão.

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